O sertão é o mundo

  • Joaquim Maria Guimarães Botelho Jornalista, ansaista e escritor, bacharel em Comunicação Social pela Casper Libero, Mestre em Literatura e Crítica Literária pela PUC-SP, especialista em Jornalismo Literacional pela University of Wisconsin EEUU

Resumo

Riobaldo, durante três dias, narra a um misterioso ouvinte suas memórias
pontilhadas de inquietações. Possivelmente o próprio Guimarães Rosa, que,
como Hitchcock, inseria-se às vezes, por diversão, nas histórias. O relato
de Grandes Sertões: Veredas, aparentemente confuso, é uma travessia pelo
caráter ambíguo do homem, traço barroco na literatura de Rosa. Riobaldo – ele
mesmo Guimarães Rosa, um pouco – transforma sua vivência individual na
experiência humana universal (“o sertão é o mundo”). Se o sertão é o mundo,
se o jagunço é o sertão, se o sertão está em todo lugar, como diz Riobaldo,
portanto o jagunço não é somente o homem de Minas, mas o homem do
mundo. Em suma, o homem é o mundo. Guimarães Rosa conseguiu conjugar
os confl itos do ser humano, projetando a busca do sertanejo para fazê-
lo conquistar dimensão universal. Em síntese, escancarando as dúvidas e
certezas do habitante do sertão das Gerais, o escritor acaba mostrando que o
homem é o homem, mesmo igual, assinzinho mesmo, no sertão de Minas ou
em qualquer outro lugar do mundo.

Publicado
Jun 19, 2018
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MARIA GUIMARÃES BOTELHO, Joaquim. O sertão é o mundo. Ângulo, [S.l.], n. 146, jun. 2018. ISSN 1984-7947. Disponível em: <http://unifatea.com.br/seer3/index.php/Angulo/article/view/825>. Acesso em: 23 ago. 2019.
Seção
Artigos